segunda-feira, 8 de junho de 2009

Inspirações

Há algum tempo que estou devendo escrever algo aqui, seja ele interessante ou não.
Na realidade, desde a sexta-feira que tenho algumas coisas para escrever mas, o tão sonhado tempo se esvai como se fosse o vento que bate no nosso rosto. Sendo assim, cabe a mim tentar escrever hoje, da forma mais inspirada possível, para me aproximar ao máximo das impressões vividas por mim no calor daquela hora.

Eu me encaminhava para a estação da Lapa, lugar que detesto com todas as letras porque fede a xixi além de ser suja e mórbida, feliz por ter adquirido em uma super promoção meu conjunto de jantar, de 42 peças, em porcelana, todo branquinho, por R$99,00! Sério! O valor normal de um desses de 20 peças chega a passar da casa dos cem reais! Mais um acessório para meu casório!!!

Pois bem, voltando ao caso: ao chegar no pavimento do subsolo, onde pego meu ônibus, vi de longe já uma gigantesca fila. Quando pensei em correr, vi que tinha uma pessoa na minha frente, que estava andando um pouco indecisa. Reconheci-a. É a deficiente visual que mora em Brotas, ou seja, pegaria o mesmo ônibus que eu.

Ia passar direto mas, decidi ajudá-la. Parei, perguntei qual ônibus ela pegaria e acompanhei ela até a fila. Assim que chegamos o ônibus ambém chegou. Coloquei ela dentro do coletivo e fui pro fim da fila. Ela ainda me agradeceu e ofereceu que eu entrasse pela "frente", como acompanhante dela, e assim, não pagar a passagem. Recusei. Disse que não tinha pressa.

Na fila, muitas pessoas. Era a última. Apenas um ônibus não deu pra levar todos. Esperei por mais uns 15 minutos o próximo. Naquele momento, vi um rapaz com cadeira de rodas e com a camisa de uma central sindical, a CTB.

Não dei muita bola, afinal estava ansiosa para ver se eu ônibus chegava, afinal estava muito cansada. Quando fui dar conta, o rapaz da cadeira de rodas tinha parado no início da fila e não olhava para o ônibus com a felicidade que eu estava. Por que?
Simplesmente porque o coletivo não tinha o elevador especial para cadeirantes. Ele não tinha acompanhantes, ninguém para colocá-lo no ônibus e descer ele no ponto dele.

Nessa hora fiquei naquela dúvida: chamo a galera aí pra ajudar? Será que ele vai se ofender? E quando ele for descer, será que vai ter alguém pra ajudar?"

Acabei entrando no ônibus e vendo o rapaz ansioso esperando o busão. O ônibus partiu. Eu fui embora. Ele ficou. E sabe Deus que horas ele saiu de lá, já que é 1 em cada 10 ônibus que têm o acesso para eles.

Depois, fiquei pensando: Burra! Deveria ter feito minha parte, tentar ajudá-lo. E, para os que me conhecem, sabe que fiquei me torturando por isso...

Mais tarde, refleti um pouco mais: como deve ser ruim a pessoa ter uma deficiência, ficar dependendo dos outros para tudo. E quando eles acham um emprego? Imagine se vão conseguir chegar no horário com essas frotas de ônibus que não estão adaptadas? Nunca conseguirão tal feito! E, pensando um pouco mais, entendi que, graças a Deus, a deficiência deles é apenas uma limitação física.

É ruim, claro que sim. Mas acredito que a pior deficiência é a de caráter. Pois essa é a mais difícil de ser mudada. A mais horrenda e mais insuportável. De uma coisa eu tenho certeza que não vou esquecer: um rapaz deficiente, que milita em uma central sindical para lutar pelo direito de TODOS os trabalhadores, ali, esperando um ônibus com acesso para ele, ou aguardando a ajuda de alguns dos protegidos dele (os trabalhadores) estenderem a mão para ajudá-lo a pegar um transporte...

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