segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Macabéo?

Mais uma vez descubro coisas importantes em minhas andanças. Cada vez mais percebo que as pessoas são meu laboratório e a internet e a tinta de caneta com o papel fazem a publicação dos meus devaneios e percepções. Não sei se este texto terá a mesma intensidade em que os pensamentos vieram à minha mente enquanto observava isso tudo comendo comida chinesa.

Cá estou eu no celeiro mais fértil para meus textos: o shopis! Este, especificamente, é para as classes C a Z. Hoje, refiz a constatação de como deve ser monótona a vida de um bilheteiro de cinema, que, a cada duas horas vai para a catraca e recebe os bilhetes de mãos limpas ou sujas, feitos em uma gráfica qualquer, em padrão único para serem mais baratos.

Sim, e depois? Depois? Depois. Fiz e refiz esta pergunta enquanto o observava. Ele pareceu impaciente. Também sentiria o mesmo ou já teria tido uma crise em um emprego desses e matado meio mundo de gente :p

Então, ele continuava lá, tamborilando os dedos e olhando para a multidão que parecia gente vinda da Somália em uma grande BL (Boca Livre, 0800 etc), depois para o relógio, para um casal que se aproximava, para os pés e pra mim. Da outra vez que vim aqui, há uma semana, já tinha perguntado o que ele fazia além de registrar as entradas. Sabem qual foi a resposta? "Fico lá dentro". E eu, com cara de espanto ou de cocô mesmo, quaase retruquei: "fazendo o que, meu filho?" Mas, a fila era grande e o filme era muito ruim para se assistir perdendo qualquer minuto que fosse!

Porém, a pergunta fugiu da minha mente, na saída, porque estava pasma em como o filme era ruim. Não era novidade ir só ao cinema, isso já acontecia mesmo na época do falecido. Mas o filme era temivelmente péssimo. Nem lembro o nome.

Então, ao olhar para ele, hoje, só me lembro da personagem de CM: Macabéa. Ele me inspira uma acomodação que irrita os hiperativos. Pensei: "por que não lê um livro, nesse ínterim, algo para ser mais alguém na vida?". Mas, respondi pra mim mesma que, dado ao tempo que ele passa ali, nem eu na e´poca que era CDF leria tanto.

Repensei: "Mas o cara já é alguém! É o distribuidor de ingressos na catraca". Sim, mas, futuramente, ele pode ter o emprego tirado pelas máquinas e pela informatização que, daqui há alguns dias, vai criar tecnologia para examinar fezes e urina no próprio vaso sanitário (e não vou mentir que espero que essa tecnologia saia logo!).

No entanto, a única coisa que me ocorre é que o cara é a personificação de Maca. Um dia, prometo eu, entrevistarei ele. E volto aqui para contar as expectativas que ele tem para o futuro.

Quem sabe a entrevista não vire algo que resulte em um prêmio? assim ajud Maquinho nos planos (?) dele.

*Escrito em Março/2010

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